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Memorial Serra da Mesa: Resgate da história do cerrado

Memorial Serra da Mesa

Resgate da história do cerrado e de Uruaçu

Na noite do último dia 26, às 19h, horário marcado para a inauguração do Memorial Serra da Mesa, no município goiano de Uruaçu, mais de mil pessoas aguardavam a abertura. Descerrada a placa identificadora externa, pela prefeita Marisa Araújo, o reitor da Universidade Católica de Goiás, Wolmir Amado; o bispo emérito de Uruaçu, dom José Chaves; o diretor do Instituto do Trópico Subúmido (ITS) da UCG, Roberto Malheiros; e Altair Sales Barbosa, pesquisador do ITS, foi dada bênção ao local, por dom José, e os portões foram abertos. Começou então a programação, que duraria cinco horas, para apresentar aquele complexo multidisciplinar, às margens do Lago Serra da Mesa, "voltado para a educação ambiental, resgate da memória pré-histórica, histórica, social e cultural de Uruaçu e região".

 O professor Altair Sales Barbosa e o professor Roberto Malheiros, conduziram os primeiros visitantes pelo amplo circuito do Memorial, composto por um Museu de História Natural, Vila Cenográfica e réplicas de Abrigo Pré-Histórico e espaços rurais - Fazenda Tradicional, Aldeia Indígena e Quilombo, que recuperam a história da ocupação do cerrado, com fiel reconstituição, fruto de pesquisas na região e doações de moradores, principalmente de peças antigas.

Envolvimento

Chegando a cada espaço, os professores se alternavam nas explicações sobre o sentido do lugar dentro do Parque, informando sua importância científica, datação histórica e papel na vida dos povos do cerrado. Em Paradas Culturais, os visitantes eram surpreendidos com performances teatrais e musicais, feitas por adolescentes, jovens e adultos da cidade, e por grupos artísticos populares de outras localidades. Mais de 200 pessoas foram envolvidas nessa montagem, ensaiando por dois meses, dirigidas por Danilo Alencar, integrante do Núcleo de Teatro da Coordenação de Arte e Cultura da UCG.

A família pré-histórica, a benzedeira, a "doida da fazenda", os tocadores de berrante, o prefeito, o padre, o bandido, as "moças do bordel" e o "defunto" - que conseguiu ficar imóvel aos risos e provocações - foram algumas das personagens que chamaram atenção dos visitantes. A encenação do velório foi realizada na "Capela de N. Sra. Santana", uma reconstituição da primeira capela de Uruaçu. Soltou faísca e levantou poeira a Dança do Facão apresentada pelo Grupo do Mestre Tição, no quilombo. Dez representantes dos índios Cariri Xocó também dançaram para comemorar o nascimento do Memorial Serra da Mesa. Grupos de catira, congada, folia e de violeiros, de Uruaçu,  Minaçu e outras localidades reavivaram emoções. No final do percurso, uma merecida parada musical, na Concha Acústica edificada no local, que teve sua inauguração marcada pela delicadeza da apresentação do Coral Infantil do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI.

O Memorial possui, ainda, um espaço com infra-estrutura completa para camping, destinado aos visitantes que pretendam pernoitar ou passar temporada de férias no local.

Solenidade

Num segundo momento, todos foram convidados a adentrarem o Centro de Treinamento, onde a solenidade de inauguração do Memorial teve continuidade, prestigiada por um público incansável, autoridades e personalidades locais. Além dos pesquisadores e funcionários do Instituto do Trópico Subúmido, que já estavam no local trabalhando na montagem do Memorial Serra da Mesa, uma comitiva de professores e funcionários administrativos representou a Universidade Católica de Goiás na solenidade, tendo à frente a pró-reitora de pesquisa e pós-graduação, professora Sandra de Faria, e o chefe de gabinete do reitor, professor Giuseppe Bertazzo.

Na abertura, houve apresentação conjunta da Banda da Polícia Militar e da Banda de Jazz do Cefet, e da Cia Sons do Cerrado (ITS /UCG). Seguiram-se pronunciamentos do diretor do ITS, professor Roberto Malheiros; da presidente da Fundação de Desenvolvimento da Região da Serra da Mesa, Eunice Aparecida de Faria; do bispo emérito de Uruaçu, dom José Chaves; do diretor do Centro Educacional e Tecnológico (Cefet) de Uruaçu, Paulo César Pereira; do reitor da Universidade Católica de Goiás, professor Wolmir Amado; e da prefeita Marisa Araújo.

O diretor regional dos Correios de Goiás, Eugênio Walter Pinchel Montenegro Cerqueira, que fez o lançamento do Selo Personalizado e Carimbo Comemorativo do Memorial Serra da Mesa, no evento, também se pronunciou, citando os benefícios do complexo para Uruaçu, "que tende a tornar-se, em pouco tempo, referência nacional do turismo".

"A partir dessa inauguração do maior complexo turístico cultural do estado de Goiás, Uruaçu terá uma nova história. Graças à visão e garra da nossa prefeita, Marisa, e aos nossos parceiros, especialmente a Universidade Católica de Goiás, sem cuja participação talvez esse dia não estivesse acontecendo". Com essas palavras, Eunice Aparecida destacou a UCG e "a maravilhosa equipe do ITS que trabalhou na montagem do Memorial Serra da Mesa", agradecendo especialmente o professor e pesquisador Altair Sales Barbosa, idealizador do projeto, a pedido da prefeita Marisa.

Roberto Malheiros falou do orgulho do Instituto do Trópico Subúmido de poder viabilizar a missão da Universidade Católica de Goiás, de difusão do conhecimento, por meio da sua experiência sobre a região do cerrado, no Centro-Oeste, atuando no planejamento e montagem do Memorial Serra da Mesa. O professor lembrou que, há dois anos, a prefeita Marisa pediu a colaboração da UCG, para a elaboração de um projeto que pudesse ajudar a cidade de Uruaçu, sua região e país, empreendendo, desde então, "uma luta incansável em busca de recursos, para a concretização desse complexo importantíssimo do ponto de vista científico-cultural".

O diretor do Cefet, Paulo César Pereira, por sua vez, destacou o "orgulho de ter uma universidade como a Católica de Goiás," co-irmã do Cefet no papel de levar formação e informação à população", envolvida no projeto do Memorial junto à Prefeitura de Uruaçu. Esse complexo reforça a admiração que tenho pelo trabalho da prefeita Marisa, que manifestou seu compromisso com a população, lutando para que fosse implantada unidade do Cefet na cidade.

 "Se Marisa tivesse feito somente essa obra, estaria imortalizada. Ela demonstrou cultura e visão histórica ao empreender essa obra. A mulher brasileira sempre esteve presente no engrandecimento do município onde reside, e Marisa exemplifica isso". Com essas palavras, o bispo emérito, dom José Silva Chaves, enalteceu a garra da prefeita de Uruaçu, em buscar parcerias – como a da UCG - e recursos para concretização do Memorial Serra da Mesa. Ele exortou o público a "votar com consciência", nas próximas eleições, de forma a eleger pessoas que darão continuidade a obras como a do Memorial.

O reitor da Universidade Católica de Goiás, professor Wolmir Amado, chamou atenção para a singularidade daquele momento da inauguração, em que a população, em sua diversidade – políticos, índios, artistas, professores e trabalhadores de diversas áreas - se entusiasmou para receber uma obra de caráter científico-cultural, unindo-se nos sentimentos de pertença e conquista, afirmando sua identidade e seu corpo de valores. "O Memorial Serra da Mesa é mais que um lugar para visitação. Quem passa por espaços culturais assim, certamente sente-se tocado, diferente. A humanidade dá um passo à frente a partir desse passo. E a Católica de Goiás não foi apenas colaboradora nesse projeto. Ao inscrever sua história na história de Uruaçu, a partir do convite da prefeita Marisa, nossa Universidade sai também transformada", enfatizou o professor Wolmir Amado.

A prefeita Marisa agradeceu a todos os parceiros que colaboraram para que o Memorial Serra da Mesa se tornasse realidade, destacando a parceria da Universidade Católica de Goiás e toda a equipe do ITS que trabalhou na pesquisa e montagem do complexo. Ela fez uma homenagem especial ao professor Altair Sales Barbosa, idealizador do projeto a seu pedido, entregando-lhe placa de agradecimento. Destacou também o empenho e profissionalismo do diretor Danilo Alencar, que potencializou a disponibilidade de pessoas da comunidade em performances artísticas. "Essa obra nasce para ser marco da nossa história, para fazer a diferença. Sinaliza que o futuro está em nossas mãos, que o trabalho e a honestidade formam nossa identidade, que é possível fazer uma política que transforma, que constrói. E que tendo essa política como meta, é possível escolher o melhor para nosso futuro, construindo a Uruaçu dos nossos sonhos", afirmou a prefeita.

Oficinas

No dia seguinte à inauguração, foram oferecidas aos visitantes do Memorial Serra da Mesa oficinas rurais interativas, sobre fabricação de farinha de mandioca, beiju, caldo de cana, rapadura, sabão de cuada e de artesanato regional (flor de palha de milho, fuxico, fiar com fuso) e indígena. Tudo permeado por apresentações itinerantes artístico-culturais.

 

Conheça o Memorial

A cidade de Uruaçu está situada no norte do estado de Goiás, a 282 km da capital e é a única cidade banhada pelo lago de Serra da Mesa, considerado o segundo maior lago artificial do mundo. Uma pequena cidade do interior goiano, com cerca de 33 mil habitantes.

Com a construção da Hidrelétrica de Serra da Mesa houve um grande impacto ambiental e social em toda a região atingida pelo alagamento. Muitas famílias perderam suas terras indo para as cidades próximas, grande parte do cerrado e sua história ficaram debaixo das águas. O objetivo do Memorial Serra da Mesa é resgatar a historia da região e promover a educação ambiental se tornando um centro de referência da cultura goiana, especialmente da região de Serra da Mesa.

O Memorial ocupa uma área de 20 mil metros quadrados, próxima do Lago Serra da Mesa e da rodovia GO-237, que liga Uruaçu a Niquelândia. Além dos recursos próprios a Prefeitura buscou o apoio de diversos Ministérios, entre os quais os do Turismo e da Integração Nacional, de Furnas e da Mineração Anglo American, através da lei Rouanet e também recursos de emendas parlamentares.

Toda parte técnica foi realizada pelo Instituto Trópico Subúmido da Universidade Católica de Goiás. Em linhas gerais, a idéia é baseada no "Memorial do Cerrado", localizado no campus 2 da UCG, em Goiânia que hoje se tornou ponto turístico da capital, sendo também considerado um dos mais significativos complexos científicos e culturais de Goiás.

O projeto estimula a geração de novos ofícios como oficinas artesanais, paisagismo voltado para os parques temáticos e cerâmica; incentiva a pesquisa fundamental, aplicada e experimental e também o estudo do valor medicinal dos fitoterápicos; e ainda favorece o intercâmbio organizacional, científico e cultural com diversas instituições como: fundações, ONGs nacionais e internacionais, universidades, institutos de pesquisa e governos.

A pedra fundamental foi lançada no dia 1º. de Julho de 2006 e será aberta no dia 1º. de Julho de 2106, 100 anos depois do seu lançamento oficial. Dentro da lápide foram colocados uma bola de futebol porque era época da Copa do Mundo; aparelho celular (sem bateria); artesanato local (terços e outros); 1 litro de pinga Serra da Mesa; jornais do dia; publicações de autores uruaçuenses e assinaturas e frases de centenas de pessoas que estiveram presentes na festa de lançamento da pedra fundamental.

A entrada do Memorial é por um suntuoso pórtico criado pelo arquiteto Louis Bernard Tranquillin (in memorian), com frases e desenhos que contam a história local desde as primeiras ocupações humanas em torno da cidade.

Neste pórtico os desenhos feitos com pedras da região narram numa seqüência histórica os rios, garimpeiros, índios, enfim os primeiros habitantes da região de Serra da Mesa. Os desenhos e as frases são de criação da artista Larissa Malty (Velha do Cerrado) e em letras monumentais se pode ler:

Os índios navegaram nesses rios;

E se fez riqueza de ouro e pedras;

E dessa água se tirou o alimento;

Nesse rio o gado matou sua sede;

O homem gerou a luz;

E a partir dele ainda hoje contemplamos a natureza compreendendo sua história

 

Este memorial será o ponto de encontro da cultura regional e toda manifestação folclórica terá suporte para se apresentar como o Chimite, a Catira, as Rezadeiras, o Caxá, o Vôzinho, quilombolas e outros. As cidades como Niquelândia, Nova Iguaçu de Goiás, Goianésia, Santa Rita do Novo Destino, Porangatu, Alto Horizonte e mais algumas apresentarão suas manifestações folclóricas em datas alternadas.

As escolas particulares e públicas e as universidades podem contar com o Centro de treinamento ou Centro Cultural que tem um auditório para 300 pessoas com estrutura suficiente para atender a todos os tipos de clientes e eventos.

Num grande museu, cuja arquitetura lembra um dinossauro, estão expostas todas as espécies de animais existentes no cerrado goiano. Esses animais são conservados pelo processo chamado "taxidermia", com orientação e técnica criada pelo professor José Hidasi de Goiânia.

Também nesse museu podem ser apreciadas todas as pedras da região, espécies da flora e toda a história do homem do cerrado será contada em detalhes através da exposição de fósseis pré-históricos. Uma gruta mostrará como o homem primitivo vivia na pré-história.

A aldeia indígena representa o povo timbira que foi para o norte de Goiás, hoje Tocantins se dividindo em muitos tribos como os krahôs e outros. Inclusive parte do material que compõe as cabanas foi confeccionado pelos índios krahôs.

O espaço recriado conta a história do povoamento de Goiás, especificamente Uruaçu. Na fazenda tradicional podemos ver engenho, carro de boi, fábrica de farinha, alambique, monjolo, curral e enfim tudo que caracteriza uma fazenda antiga auto sustentável.

Em datas especiais,  como Semana do Folclore e outras, o visitante poderá ver o engenho moendo cana, o carro de boi carreando, a confecção de farinha de mandioca, o monjolo socando, o alambique produzindo pinga, o curral com bois, o galinheiro, chiqueiro de porcos e outros. Existe também um espaço para as fiandeiras, contadores de causos, tecedeiras e todas as manifestações regionais.

Na cidade cenográfica os prédios representam a antiga Santana do Machambombo, hoje Uruaçu. Construções como a Casa Baiana, a primeira cadeia, uma topografia de 1940 e a primeira escola de Uruaçu decorada com carteiras, mesas, palmatória e cadernos e livros da época. Todos esses espaços são mobiliados à caráter e foram montados baseados em fotos antigas e depoimentos dos primeiros moradores como a casa do Coronel Gaspar Fernandes de Carvalho.

A Capela de Santana que foi a primeira igreja da cidade está reconstruída em tamanho original com cruzeiro e tudo. Nesse largo estará representada uma casa e a forca de Trairas.

Para que tudo seja como era antes foi construída também a vila com casinhas de adobe, jirau de pau e um bordel representando o antigo (Fôia) da cidade de Uruaçu. Este bordel é decorado com móveis antigos, perfumes que as cortesãs usavam para atrair dinheiro e homem, destacando as famosas bacias esmaltadas onde se lavavam. Em datas especiais atrizes representarão as damas no famoso "Fôia" Essa representação se faz no sentido de mostrar como no passado os pais usavam o bordel como um local para ensinar aos filhos os primeiros contatos com as mulheres.

A casa sede da fazenda tradicional foi inspirada em construções de fazendas antigas da região como a casa da Dona Nina que é antiga moradora da região de Urualina, município de Uruaçu. Tudo foi construído sem perder nenhum detalhe: o assoalho de tábuas, a bica dágua com o monjolo e o telhado com telhas comuns coletadas em taperas da região. Essas telhas segundo os mais antigos, as primeiras foram feitas nas "coxas dos escravos", só depois de muitos testes foi inventada a forma de madeira chamada "galape".

O quilombo apresenta de forma explícita como os escravos fugitivos viviam em casebres de taipa (ripa e barro), aglomerados num local pequeno entre serras e ainda um espia no alto para vigiar o abrigo.

Ainda no Memorial há uma área de camping, espaço de lazer e de complemento às atividades culturais. Também um deck utilizado como ponto de observação e de pesca esportiva.

Fonte: www.memorialserradamesa.com.br

   
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